O cancro é uma doença cada vez mais prevalente na nossa sociedade e, graças aos avanços científicos nos tratamentos, os doentes dispõem atualmente de uma maior esperança e qualidade de vida. Entre as intervenções não farmacológicas mais recomendadas encontra-se o exercício físico, cuja prática é apoiada por organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), devido aos inúmeros benefícios que proporciona em todas as fases do processo oncológico. É, por isso, fundamental que os doentes compreendam estes benefícios e, sobretudo, que realizem exercício de forma segura e supervisionada.
Na fase pré-cirúrgica, o exercício contribui para preparar o doente para a intervenção, melhorando a sua capacidade funcional e ajudando a prevenir sequelas pós-operatórias frequentes. Durante os tratamentos oncológicos, a prática regular de atividade física pode minimizar os efeitos secundários dos tratamentos antineoplásicos, manter ou até melhorar a força, a resistência e o nível funcional, bem como aumentar a tolerância a determinados fármacos. Além disso, pode reduzir complicações associadas a períodos prolongados de hospitalização, o que é especialmente relevante em doentes mais frágeis. Na fase paliativa, o exercício tem como principal objetivo melhorar a qualidade de vida, aliviar sintomas decorrentes da doença e preservar a autonomia durante o maior tempo possível. Após a conclusão dos tratamentos, a atividade física assume um papel essencial na recuperação, promovendo um estilo de vida ativo e saudável, reduzindo sequelas como a perda de massa muscular, a sarcopenia ou a polineuropatia secundária à quimioterapia, podendo inclusive contribuir para diminuir o risco de recidiva em determinados tipos de cancro.

As recomendações internacionais salientam a importância de combinar exercício aeróbico e de força para maximizar os benefícios: aconselham-se pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de intensidade vigorosa, juntamente com duas a três sessões semanais de exercícios de força, incluindo duas a três séries de 8 a 10 repetições por grupo muscular. Contudo, para que o exercício seja verdadeiramente seguro e eficaz, é imprescindível que seja supervisionado por um profissional de saúde qualificado, preferencialmente um fisioterapeuta especializado em oncologia. Este profissional é responsável por realizar uma avaliação inicial detalhada, considerando a fase da doença, os tratamentos realizados, a presença de sintomas ou sequelas e as capacidades individuais, a fim de elaborar um programa de exercício adaptado e isento de riscos. Paralelamente, acompanha a evolução, ajusta a intensidade e identifica precocemente qualquer sinal de alerta, garantindo uma prática segura.
A figura do fisioterapeuta oncológico é essencial, uma vez que, antes de iniciar qualquer programa de exercício, devem ser consideradas diversas precauções que requerem conhecimento e julgamento clínico. Entre estas incluem-se a presença de fadiga intensa, metástases ósseas, desnutrição, dispneia ou alterações analíticas como trombocitopenia (plaquetas baixas), anemia (níveis reduzidos de hemoglobina) ou neutropenia. Estas condições exigem uma adaptação cuidadosa do exercício ou, nalguns casos, podem justificar a sua suspensão temporária. Por estas razões, o acompanhamento profissional não só otimiza os benefícios do exercício, como garante a segurança do doente em todas
as fases do processo oncológico.

Paula Moreno Tuset – Fisioterapeuta oncológica

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